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Pitchfork: “Matty Healy analisa cada música de A Brief Inquiry Into Online Relationships”

Tradução: Matheus Perez (@mattspeedyou)

Matty Healy está impressionado com a vista. O mancuniano de 29 anos fica em silêncio ao observar a extremidade inferior de Manhattan do 40º andar do One World Trade Center. É o único momento durante a nossa conversa que as palavras se desfazem.

Ele está aqui para falar sobre o Brief Inquiry Into Online Relationships, o terceiro álbum da banda, The 1975. Ao discutir suas composições, palavras como “desconstruído”, “antológico” e “pós-moderno” surgem constantemente, e o registro reflete sua filosofia incontestável do mundo. O álbum conta com hinos de rock que definem a nova era, tenras baladas, uma faixa de jazz sobre como manter as coisas de um modo casual; e uma faixa pop reluzente que fala sobre a decisão de Healy de superar seu vício em heroína. Há, também, um monólogo assustadoramente engraçado narrado por Siri.

Mesmo com o planejamento do próximo álbum, intitulado Notes On Conditional Form – inspirado pela cultura au courant – Healy não deixa de valorizar as 15 músicas do A Brief Inquiry. Por enquanto, Matty, que lidera uma das bandas mais implacáveis da década, parece contente, acrescentando uma nova dimensão de sabedoria à sua marca registrada de sinceridade. “Eu não tenho medo de nada”, diz ele calorosamente. “E eu não estou escondendo nada.”

 

  1. ‘The 1975’

    Pitchfork: A introdução autointitulada se tornou uma tradição em seus três álbuns até agora. Cada faixa tem a mesma letra, mas arranjos diferentes. Essa é a versão mais esparsa e estranha de todos os tempos. Como isso aconteceu?

    Matty Healy: Durante a produção do disco, eu tive uma introdução diferente baseada em Steve Reich, como xilofones e cordas. Eu estava trabalhando nisso por muito tempo e eu simplesmente não conseguia fazer as coisas funcionarem. Então, dois dias antes de entregarmos o disco, não tínhamos uma introdução. Então, pensei: “Por que eu não vou tocar um pouco de piano? Talvez alguma de interessante aconteça.” Essa foi a última faixa do álbum, e foi um verdadeiro pânico. Mas assim que conseguimos gravar essa versão, eu falei: “Isso está do caralho.” Eu comecei o dia me odiando, mas o terminei me sentido orgulhoso de mim mesmo.Você acha que vai abandonar essas intros no futuro?Eu amo drama e subtexto e essa merda toda, então acho que vou manter esses temas. É sempre um sinal de onde estamos. Em vez de tirar uma foto de alguém, é como fazer um vídeo de cinco minutos – eles têm de se contorcer um pouco.
  2. “Give Yourself A Try”Você parece estar falando com seus fãs mais jovens nessa música.

    É sobre como você é, seja por meio da cultura pop ou da literatura, presenteado com a ideia desses destinos de felicidade, de ser um adulto e de se sentir bem consigo mesmo – e isso nunca realmente acontece. Eu adoraria falar comigo aos 40 anos e ver o que consegui e o que sinto…, mas serei a mesma pessoa neurótica que está se esforçando para ser um adulto.Você acha que essa atual geração de adolescentes tem mais dificuldades do que você?

    Definitivamente. Eu tenho um irmão que é 13 anos mais novo que eu. Quando eu estava no ensino médio, se houvesse uma briga, haveria o acúmulo de tensão, depois a briga, e depois as consequências, onde as pessoas falam merda, mas então as pessoas voltariam para suas casas e era isso. Mas meu irmão estava me dizendo que agora, com o Twitter, a luta é só o começo. Uma vez que todos vão para casa, a adrenalina está nas alturas, então todos ficam vidrados em seus smarthphones [Matty imita animadamente alguém digitando em um telefone]. Então, outras 15 lutas se organizam para depois da aula e depois a merda acontece. Depois, você vai para casa, e todo mundo fica acordado até as quatro da manhã, pensando: “mano, você tá tão fudido!” E então, no dia seguinte, todos voltam à escola extremamente cansados. Ninguém consegue se concentrar, e todo mundo está brigando.

 

  1. ‘TOOTIMETOOTIMETTIMETIME’Essa é uma faixa pop relativamente simples no contexto do álbum. Foi contra intuitivo escrever algo assim?Essa é a palavra certa, contra intuitivo. De um modo despretensioso, posso dizer que é uma celebração de quem eu sou no momento. E isso me permite ser igualmente sério, frívolo e emo. Eu começo a brincar com todos esses pedaços da minha identidade que eu criei ao longo dos anos. Então é por isso que, quando eu estava fazendo essa música, eu não tinha o tipo de síndrome de “artista sério” que eu tinha antes. Fazer um disco é como delinear uma personalidade, e você não pode fazer isso sem que seja incrivelmente dinâmico. Porque é isso que uma personalidade é – um amontoado de coisas.Desde que as músicas falem sobre algo, não importa. Quando as músicas são apenas rimas e não significam nada, eu não me interesso. Mas as músicas podem ser sobre a frivolidade em si – se é uma boa música sobre frivolidade. Por isso, o projeto começou a ser um pouco contra intuitivo, mas depois pensei: “Eu amo música pop! Eu não tenho que me desculpar por isso. E isso não nega meu intelecto ou integridade”. Além disso, a música simplesmente não iria funcionar se eu estivesse tentando ser prolixo. Não iria soar bem. Também não seria divertido, porque tem que ser sobre o que a música realmente é.

    4. ‘How To Draw / Petrichor’

    Essa música soa como uma homenagem à garage music do Reino Unido. Qual é a sua história com esse gênero?

    Crescer no Reino Unido significa escutar dance music na rádio depois das sete da noite. É a trilha sonora para a vida noturna, para ficar acordado até tarde, para ser criança. Então, somos nós tentando homenagear o gênero e a época de quando éramos mais jovens. É por isso que “How to Draw” veio naturalmente, porque essa é a nossa identidade. É de onde nós viemos.

    Essa influência é uma prévia de onde a banda está indo no próximo álbum?

    Há um elemento de uma prévia na produção, porque é uma obra-prima do [baterista / produtor George Daniel]. No momento, se nós apenas colocarmos o que temos, não cairia bem. Mas está tomando forma. Não fazia sentido fazer uma turnê por dois anos e depois fazer um álbum, tendo em mente a banda que eu quero ser. Não é como está acontecendo agora. Não é nem como eu consumo as coisas: eu vejo algo no Netflix e é tipo: “Essa foi a melhor coisa que eu já vi. Próximo?”

    5. “Love It If We Made It”

    A primeira coisa que essa música me fez pensar foi no grupo escocês Blue Nile, particularmente a música “The Downtown Lights” de seu álbum Hats de 1989.

    Isso mesmo. Isso definitivamente começou quando nós apenas ouvíamos “Hats” todas as noites antes de subirmos ao palco. Ouvimos tanto aquele disco que ele até quebrou. É um pouco diferente; é como Blue Nile em esteroides. Queríamos que soasse realmente como uma máquina, no sentido industrial.

    As letras são muito do momento, com referências a Trump. Kanye e Lil Peep. Como você escreveu sobre eles?

    Basicamente, todos os dias depois de ter lançado o segundo álbum, eu pedia ao Ed Blow [gerente de produtos da Dirty Hit Records] para pegar tabloides a caminho do escritório para que eu pudesse, eventualmente, escrever uma música sobre as manchetes. O triste é que o resultado disso tudo ficou bem engraçado.

    Você consegue se lembrar de alguma parte que foi cortada?

    Havia uma manchete bem engraçada sobre um cavalo: “Hambúrguer de Cavalo Abatido Pelos Britânicos”, ou algo parecido com isso. E tinha algo sobre enfermeiras estrangeiras, também. Então, eu decidi não mexer em nada. Mas então, toda vez que algo realmente me tocava, eu escrevia algo sobre. No final de contas, eu tinha um monte de material, mas tinha que fazer tudo rimar. Essa foi a parte mais difícil.

    Houve momentos particularmente memoráveis durante as composições?

    Houve um tempo durante a produção do disco que comprimir ideias era melhor que qualquer droga. Eu estava no meu carro e eu tinha que usar essa parte da letra. Eu tinha: “Consultation, degradation, fossil-fueling masturbation/Immigration, liberal kitsch, kneeling on a pitch…” E depois eu tinha “excited to be indicted.” Eu tinha todas essas coisas, mas eu não tinha como interligá-las. Eu precisava de sete sílabas. E quando eu usei aquele tweet do Kanye West, eu pensei comigo mesmo: “O que mais ele disse?” Então foi como [Matty canta uma melodia triunfante] os espaços de sílabas de “I moved on her like a bitch” surgiram, bem estilo game show, e eu fiquei tipo “Oh meu Deus! Eu consegui!” E então os meninos da banda ficaram tipo: “É outro palavrão”. E eu fiquei tipo “Ah sim, isso é um pouco chato”. Mas então eu fiquei tipo: “Não, se formos censurados, seremos censurados por fazer citações diretas do presidente dos EUA. Essa é a música em sua essência. Quão estranho é a realidade?

    6. “Be My Mistake”

    Essa música é particularmente vulnerável. É uma balada que toca como se você estivesse cantando para apenas uma pessoa. Sobre o que você estava escrevendo?

    “Be My Mistake” é sobre culpa. É sobre quando você é uma pessoa jovem e você luta às vezes para descobrir o que você realmente quer. E às vezes, como muitas situações, você precisa cometer um erro antes de realmente entender a si mesmo. E então, talvez, você acabe afastando as pessoas, e você acaba percebendo que a ideia de um relacionamento com alguém não é realmente algo que você quer.

    O arranjo é bem simples. É praticamente voz e violão.

    Eu amo Nick Drake e esse tipo de música, mas eu não gosto da ideia desse novo tipo de cantor e compositor moderno. Então eu sempre procurei a me distanciar disso estilisticamente. Entretanto, percebi que é onde a verdade está. Basta fazer isso direito. Eu quero falar diretamente com as pessoas. Se você vai dizer a verdade desse jeito, então não tem como mascará-la.

    7. “Sincerity Is Scary”

    Essa música é uma espécie de pensamento em espiral, como se você estivesse imaginando dois lados de uma conversa.

    Sou eu denunciando todo o meu pós-modernismo. O fato de ser sarcástico em vez de sincero. É uma crítica a mim mesmo, e acho que isso é algo saudável. É muito bom ouvir uma estrela pop – ou uma estrela do rock, seja lá o que eu for – se preocupar com noção do seu potencial de ser uma pessoa boa. Eu gosto disso.

    A canção tem a participação Roy Hargrove, trompetista do jazz, que faleceu no início deste mês. Como foi sua relação de trabalho com ele?

    Foi algo intenso. Você se sentia amedrontado só de vê-lo na mesma sala que você. Ele tocou as trombetas no álbum “Voodoo” do D’Angelo, que é a seção de metais mais icônica de todos os tempos. De longe, ele foi o maior músico com quem já trabalhei. Foi o primeiro falecimento de alguém que trabalhou conosco. Algo morreu na música e isso me deixou muito triste.

 

  1. “I Like America And America Likes Me”A turnê mudou a maneira de como você olha para os Estados Unidos em comparação com outros países?

    Se todos fizessem o que eu faço, haveria menos divisões. Isso soa como uma declaração e tanto, mas o que estou querendo dizer é: se você faz a mesma coisa em lugares diferentes o tempo todo, então acaba se tornando exatamente a mesma coisa. Toda noite parece, cheira, soa, reage e opera exatamente da mesma maneira. Sim, percebo a maneira como as pessoas têm cabelos mais escuros no México do que na Escandinávia. Claro. Mas as coisas que você percebe são as semelhanças. Em termos de personalidade, há diferenças, mas estamos todos preocupados com a mesma merda. Todos estão com medo de morrer!Também tem uma forte presença de auto-tune na sua voz nessa música. O que você gosta sobre esse efeito?

    O efeito não só modifica, mas também para, comprime e pontua sua voz. Isso a transforma em um instrumento. Mas também, essa música começou como uma homenagem ao Rap SoundCloud. Para mim, representa o atual cenário musical dos Estados Unidos. Eu estava até pensando em adicionar uma voz sussurrada, só para ver até onde eu conseguia ir.9. “The Man Who Married A Robot/Love Theme”

    Esta é uma faixa recitada pelo assistente virtual Siri. Fala sobre um homem solitário que se apaixona pela internet. O quanto você se identifica com esse personagem?

    Provavelmente mais do que eu gostaria. A remoção da experiência humana, como ouvir um robô dizer “animais cozidos”, traz uma vibe negativa, não é mesmo? Por que é uma vibe ruim? Essa é a pergunta que estou fazendo. É o reconhecimento de uma realidade distópica já existente. Soa como um aviso do que futuro poderia ser, mas você percebe que é exatamente o que estamos vivendo.

    De onde surgiu a ideia para este monólogo?

    A ideia original era que meu pai e eu lêssemos o texto. Mas eu fiquei tipo “Foda-se isso, vai ficar zuado” E então ficamos tipo: “Então, como vai ser?”. Mas não demorou muito para criarmos algo. No início deste ano, depois da minha reabilitação, eu estava obcecado com a década de 2020. “Como vai ser essa próxima década?”. Era uma ideia meio retro futurística. Eu tingi meu cabelo de roxo, usava um casaco laranja e pensava, “Tudo vai ser super futurístico!” Eu estava fissurado nessa ideia. Eu só pensava: “robôs, robôs, robôs”.

    Como uma banda tão intimamente ligada à internet, você acha que esse é o álbum em que vocês se voltam contra isso?

    Eu estou apenas fazendo perguntas. O que é estranho para mim é o material com que nos acostumamos. Quando ouvi pela primeira vez aquela voz de robô no OK Computer, foi tipo, argh! Isso é assustador pra cacete! A ideia de uma voz sintetizada é assustadora. Mas agora, você poderia ter essa faixa no fundo e nem mesmo iria perceber! As pessoas colocam essas vozes na cozinha e ficam tipo “ME PASSE OS OVOS” e o robô diz “OK”.

    Também é difícil porque, como compositor, só faço perguntas. Katy Perry fará uma música em que ela dirá “epic fail” ou algo assim, mas o novo álbum de Leonard Cohen não vai fazer referência ao FaceTime, certo? Mas, para ser realmente, realmente verdadeiro sobre a experiência humana, ele meio que teria que, se estivesse falando sobre um relacionamento, falar algo do tipo: “Oh meu amor, longe, em uma terra distante… eu poderia entrar em contato com você em um segundo!”. A internet mudou completamente todas as perspectivas de como nos relacionamos uns com os outros.

    10. ‘Inside Your Mind’

    As letras dessa música soam meio obsessivas. Você orbita entre amor e violência: “Eu tive sonhos onde há sangue em você / Todos aqueles sonhos onde você é minha esposa.”

    “Inside Your Mind” é apenas a ideia de que, às vezes, você quer saber tanto o que seu parceiro está pensando que você quer abrir a cabeça dele para olhar. Eu gostei disso como uma metáfora. Às vezes, eu gosto da ideia de coisas morbidamente românticas Eu expliquei para a minha namorada, e ela achou muito sexy.

    11. “It’s Not Living (If It’s Not With You)”

    Essa é uma música sobre vício em heroína, em que você canta sobre um personagem chamado “Danny”. A quem você está se referindo?

    Eu acho que estou tentando conscientemente escondê-lo atrás de alguém ao escrever sobre sua luta. Tipo: “Então eu tenho esse amigo, né. E ele tem uma espécie de vermelhidão na genitália.” [risos]. Essa é a vibe da música. Mas é bastante óbvio que é sobre mim. Antes eu tinha muita relutância em falar sobre isso. Eu não queria falar sobre ser um viciado em heroína por cinco anos – tendo pesadelos reais sobre a ideia de alguém descobrir. Então, houve uma hesitação humorística em divulgá-la nessa música.

    O que você estava tentando expressar sobre o vício nessa música que você não tinha ouvido antes?

    Eu não teria escrito sobre heroína a menos que tivesse me curado. O fato de eu usar heroína nunca foi uma razão boa o suficiente para eu falar sobre isso. Eu não acho que Kurt Cobain tentou romantizar o vício em drogas. Publicamente, ele era a pessoa mais legal do mundo, e o grunge era tão obscuro. Ele só estava dizendo a verdade. Considerando que Pete Doherty era um personagem diferente. Essa era a coisa que eu sempre tive medo – ser uma celebração detestável desse tipo de doença. Eu me senti tão sortudo. Eu não perdi coisa alguma. E é normalmente por esta razão que as pessoas vão para a reabilitação: elas perderam tanto que não suportam perder mais nada. Mas eu tive sorte.

 

 

  1. ‘Surrounded By Heads And Bodies’Isso parece uma música de reabilitação. Ângela, a pessoa para quem você está cantando aqui, seria alguém que você conheceu lá?Sim, era só eu e essa outra pessoa. Ela estava alocada em uma residência na mesma região. Nós raramente nos víamos, a não ser nas sessões de terapia em grupo. Ela era uma mulher tão linda e adorável. Eu senti uma conexão real com ela. E logo descobrimos que morávamos na mesma rua em Manchester! E nós estávamos em Barbados. Foi algo bem louco. Logo essa rua!O título desta música é de Infinite Jest, de David Foster Wallace. Que significado esse livro tem para você?

    Eu estava lendo isso quando estava na reabilitação. Não havia ninguém lá. Era eu e minhas enfermeiras, que entravam e me monitoravam. Além disso, só tinha a Ângela morando a quilômetros de distância. Eu estava sozinho, e o livro estava aberto na primeira página, como a maioria das cópias de Infinite Jest.

    A citação vem das linhas de abertura do livro.

    Essa foi a piada. Porque ninguém lê o livro inteiro! Todo mundo da nossa idade tem uma cópia do Infinite Jest.

    13. ‘Mine’

    Eu não esperava uma faixa de jazz vindo de vocês.

    Nem eu. Veio do nosso amor por Coltrane. Eu sempre uso a analogia da pega-rabilonga: Uma pega-rabilonga pode coletar um diamante ou um pedaço de vidro ou um pedaço de papel – não importa, desde que seja brilhante e atraente. É a mesma coisa conosco, desde que esse algo seja bonito. E eu queria uma faixa de jazz, porque imagine escrever uma nova música no estilo Gershwin. Apenas imagine uma música nova nesse molde. Isso não aconteceu desde então – é difícil dizer. Qual música chegou perto disso? Foi a “Christmas Song” da Mariah Carey? Essa foi provavelmente a última. Talvez a “Hey There Delilah? do Plain White T’s”? Essa música foi algo incrível. [risos]

    14. ‘I Couldn’t Be More In Love’

    Os vocais nessa faixa são muito intensos. Eu acho que nunca ouvi você cantar assim antes.

    É porque eu me esforço para cantar assim. Algumas pessoas cantam desse jeito e é a coisa mais natural do mundo para elas. Mas para que as pessoas acreditem em mim, tenho que realmente tentar. Os vocais são de um dia antes de eu ir para a reabilitação. Para ser honesto, eu cantei melhor quando saí de lá, mas havia algo nos vocais. Tinha algo meio gutural. Eu estava muito chateado e assustado. Eu sinto que há uma falta de esperança na minha performance.

    É também uma das músicas mais astutas do álbum.

    Sim, é estranho, não é? Tem alguns momentos meio Eric Clapton.

    Especialmente com o solo de guitarra.

    Esse é o meu solo também. Mais uma vez, eu não quero celebrar a parte de quando eu estava viciado, mas houve alguns momentos em que capturamos onde eu estava no limite. Há uma intensidade verdadeira nisso. Gravamos a música uma só vez. Era a demo, e eu arrasei de primeira por algum motivo. Como qualquer coisa, é uma série de pequenos acidentes perfeitos.

    Você acha que você vai mandar bem no solo ao tocá-la ao vivo?

    Ah, com certeza.

    15. ‘I Always Wanna Die (Sometimes)’

    De primeira, essa música me soou como um clássico, como se ela já existisse.

    Isso realmente faz sentido, certo? “Eu sempre quero morrer às vezes …” Eu não sei porque eu não escrevi isso antes.

    Ela é bem Britpop.

    Ela é. Durante a produção, eu fui capaz de acrescentar um certo equilíbrio a ela. Não é uma “Bittersweet Symphony” ou uma música do Oasis, já que não soa tão obscura quanto. Mas, liricamente e vocalmente, tem a alma de Manchester. Eu consegui contatar o David [Campbell], que fez as linhas de guitarra para “Iris” do Goo Goo Dolls, para fazer as linhas de guitarras dessa música. Eu pensava: “Isso tem o potencial para ser algo cinematográfico. Por que não fazer uma versão mais sombria e inglesa de “I Don’t Want To Miss A Thing?” Fazia muito sentido. Enquanto eu trabalhava nela, eu pensava: “Seria essa música o nosso grande hit?”

REVIEW: GIGWISE comenta faixa a faixa do álbum “ABIIOR”

Tradução: Matheus Perez (@mattspeedyou)

Poucas bandas tiveram uma ascensão tão tumultada quanto o The 1975. Por vários anos, o grupo fez turnês sob diferentes nome. E quando finalmente começaram a ganhar uma quantidade considerável de reconhecimento de uma crescente base de fãs, a imprensa só soube virar o rosto para o quarteto de Manchester.

No final da turnê de seu primeiro álbum (The 1975), a banda expandiu sua base de fãs e, consequentemente, a quantidade de elogios. Tudo isso bem a tempo do lançamento do segundo disco (I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it)

Estamos há poucos dias do lançamento de “A Brief Inquiry Into Online Relationships”, e uma verdadeira enxurrada de elogios de publicações está surgindo. Então, o que mudou?

Há um número significativamente menor de músicas instrumentais em ABBIOR. As letras estão no centro das atenções, com histórias dos momentos mais sombrios de Matty Healy, documentadas juntamente com referências a alguns dos momentos mais sombrios do mundo atual, também.

A jornada sonora é impulsionada pela produção de Matty e do baterista George Daniel, e é distinta por seu estilo barulhento e limitado, com eletrônicos Aphex Twin; vocais distorcidos (‘How To Draw / Petrichor’); linhas de jazz (‘Sincerity Is Scary ‘and’ Mine ‘); e crescendos cinematográficos (‘ I Always Wanna Die (Sometimes) ‘).

Aqui está nossa análise de A Brief Inquiry Into Modern Relationships:

“The 1975”

Todo álbum de 1975 começa com uma música chamada ‘The 1975’. Dessa vez, a terceira releitura desta faixa é uma introdução apropriada aos fios sonoros que se entrelaçam para formar o ABIIOR. Pianos suaves fluem por baixo dos vocais auto-sintonizados de Matty, que deslizam direto para o ‘Give Yourself A Try’.

“Give Yourself A Try”

O single foi o primeiro gostinho de música nova, após o lançamento do cover de ‘By Your Side’ no início de 2017. Foi, previsivelmente, recebido com a histeria em massa dos fãs e, sem saber, foi o primeiro indício dos traços eletrônicos “glitch” que se tornaram realidade em algumas faixas do álbum. Nas letras, há uma multiplicidade de referências, desde seus fãs (“Jane tirou a própria vida aos 16 anos, ela era uma criança que tinha a caixa tatuada em seu braço”) até os efeitos da fama (“você ganhará muito dinheiro” e é engraçado porque você se muda para algum lugar ensolarado e fica viciado em drogas ”). É o The 1975 em sua melhor forma coloquial.

‘TOOTIMETOOTIMETTIMETIME’

Lançada em uma paisagem sonora quase tropical, passagens como: “Ela disse que eu, eu deveria ter gostado, eu disse a ela ‘Eu só uso algumas vezes'” aparentemente se referem a uma geração Instagram, onde as amizades são determinadas por quem gostou de sua última selfie, em vez de qualquer coisa substancial ou tangível. A faixa foi co-escrita por Guendoline Rome Viray Gomez, aka No Rome. A colaboração com seu parceiro de gravadora, Dirty Hit, canaliza a flutuabilidade opaca na vanguarda da atual discografia de Gomez e reforça o mesmo fio criativo que une todos os artistas da gravadora.

‘How To Draw / Petrichor’

Realmente parece que ‘How To Draw / Petrichor’ tem vida própria. Se você ouvir atentamente, pode ouvi-la inalando e exalando. São seis minutos de sons delicados. É uma mistura transcendental e etérea de ruídos quase reminiscentes a um brinquedo infantil de um berçário que passou por uma metamorfose eletrônica, e que se fundiu com batidas agressivas de “garage”. Ela te empurra e puxa, mas finalmente te mergulha na produção dinâmica de Matty e George.

“Love It If We Made It”

Se a letra de abertura “nós estamos transando em um carro, usando heroína, dizendo coisas controversas apenas por dizer”, não faz você se sentar e escutar desde o início, a potência sônica que essa música entrega com certeza vai. Aparições sonoras, semelhantes aos sons de glitch de video-games, aparecem sutilmente, submersas em sintetizadores efervescentes. A faixa conta com a presença do London Community Gospel Choir nos backing vocals nos refrões.

“Be My Mistake”

Em ‘Be My Mistake’, uma faixa predominantemente acústica (além dos ecos distantes de um piano), Healy nunca fez a infidelidade soar tão angustiante. A entrega vocal delicada expõe sua vulnerabilidade, mas isso é questionado quando ele canta timidamente: “Eu não deveria ter ligado porque não devemos nos falar, você me faz difícil, mas ela me deixa fraca”.

“Sincerity Is Scary”

À medida que os efeitos de percussão se aceleram na introdução de ‘Sincerity Is Scary’, os tons de jazz que se seguem transportam o ouvinte para outro cenário instantaneamente. Faz você se sentir como se estivesse sentado no telhado de um apartamento em Nova York, com um cigarro em uma mão e um copo de vinho tinto na outra, olhando para o horizonte. É suave, é sensual, é tão 1975.

“I Like America And America Likes Me”

“Estou com medo de morrer” professa um Matty autotunado na linha de abertura de “I Like America & America Likes Me”. Ao entralaçar uma batida de hip-hop com elementos eletrônicos cintilantes, Matty continua a exercer sua bem informada perspectiva sobre a política mundial, enquanto faz bom proveito da atmosfera dos sintetizadores.

“The Man Who Married A Robot/Love Theme”

Uma verdadeira referência aos relacionamentos virtuais. Essa ode ao mundo virtual é simultaneamente cativante e angustiante em medidas iguais. Após a história ser contada inteiramente pelo assistente virtual Siri, os tons escuros embutidos nas letras se revelam mais proeminentemente. Ele conta a história de Snowflakesmasher86 e quanto ele era dependente de seu relacionamento com a internet. Após sua morte prematura, Siri anuncia que ele faleceu, “em sua casa solitária. em rua solitária. em uma parte solitária do mundo. Você pode ir no Facebook dele”. É algo chocante, porém não tão fantasioso. Vejo você nos comentários do paraíso do YouTube, Snowflakesmasher86.

“Inside Your Mind”

A partir da ousada introdução de piano de “Inside Your Mind”, você não tem certeza se a música vai se transformar em um hino similar ao “Don’t Stop Believin” da banda Journey. Mas já sabemos muito bem que não podemos prevêr os movimentos do The 1975. Em vez disso, a faixa se acomoda em um ritmo lento e ardente. Matty diz “a parte de trás da sua cabeça está na frente da minha mente, logo eu vou abrir só para ver o que está dentro.”

“It’s Not Living (If It’s Not With You)”

A faixa é um verdadeiro retorno à essência. Mas como algo pode ser um retorno à essência, sendo que a banda está constantemente quebrando regras e inovando? Acho que o que estou tentando dizer é que esse é um hit que aproveita muito bem dos momentos eufóricos que não soariam tão diferentes de ‘Girls’ ou ‘The Sound’ em seu show ao vivo. Embora ela seja uma carta de amor ao abuso de drogas, ela não é romantizada. É honesta, crua e reflexiva, e se mostra como o momento mais edificante do álbum.

“Surrounded By Heads And Bodies”

Outra faixa acústica. A produção despojada evidencia que o quarteto sempre se sai bem, transformando uma fórmula clássica em inovadora. É uma justaposição rígida, logo após a euforia de ‘It’s Not Living’ (If It’s Not With You). ‘.
“Mine”

Se ‘Sincerity Is Scary’ é a vibe noturna de Nova York, então ‘Mine’ é certamente a manhã seguinte. As influências de jazz retornam, e você nunca, jamais, quer que elas saiam. A musicalidade descontraída também permite que letras como “eu luto contra o crime on-line e, às vezes, escrevo rimas as quais uso para me esconder”, brilhar.

“I Couldn’t Be More In Love”

Talvez a melhor maneira de descrever essa faixa seja com a palavra “atemporal”. Das linhas charmosas, “na melhor das hipóteses, estou sozinho em minha mente, mas posso encontrar algo para mostrar a você se você tem tempo”, até aos elementos instrumentais sedosos e sensuais, incluindo um solo de guitarra prolongado, Parece que poderia ter sido lançado hoje ou 20 anos atrás.

“I Always Wanna Die (Sometimes)”

Um clímax cinematográfico! Essa canção é o resumo da vida em 2018 – uma era verdadeiramente online. O refrão inclui um forte falsete de Matty enquanto as guitarras ascendem a proporções épicas. Os temas de isolamento e solidão, que prevaleceram ao longo do disco, atingem o pico (“você sabe que não é o mesmo que eles”). As notas dramáticas que preenchem o desfecho de ABIIOR perduram muito depois de seu fim, deixando uma marca duradoura de tirar o fôlego, após 58 minutos e 26 segundos.

Live Lounge 2018 BBC Radio 1

A banda inglesa participou mais uma vez do Live Lounge 2018, programa da BBC Radio 1, dedicado a versões exclusivas e ao vivo de músicas.
Como já é de costume da rádio, os artistas tocam suas músicas e também fazem um cover exclusivo no programa. As músicas da banda escolhidas foram It’s Not Living, TOOTIMETOOTIMETOOTIME e Sincerity Is Scary, já o cover escolhido foi Thank U, Next da cantora americana Ariana Grande.
Assista as performances:

 

Confira as fotos oficiais divulgadas pela BBC Radio 1 em nossa galeria:
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Ouça a prévia de “Be My Mistake”

Chegou na internet um trecho de Be My Mistake, que já foi confirmado como oficial pelo próprio Shazam. Ouça agora a prévia exclusiva:


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Uma publicação compartilhada por T H E 1 9 7 5 (@the1975mfc) em

Be My Mistake faz parte do novo álbum da banda, A Brief Inquiry into Online Relationships, que será lançado no dia 30 de novembro de 2018.

REVIEW: NME fala sobre “A Brief Inquiry Into Online Relationships”

CRÍTICA NME The 1975 – ‘A Brief Inquiry Into Online Relationships’
Eles só vieram e fizeram a resposta milenar do ‘OK Computer’…

Nota: ★★★★★ (5/5)

Por Dan Stubbs

Tradução: Luiz Henrique Otto (@riverscaprio)

Matty Healy sempre disse que os três primeiros álbuns do The 1975 contariam uma história: a sua própria, de um adolescente sonhador vivendo em uma região abastada de Manchester (estréia auto-intitulada de 2013), a do pop star em seus primeiros momentos de fama (‘I Like It When You Sleep For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It’ de 2016) e a conclusão estilo Ziggy que estaria por vir.

Em vez disso, The 1975 foi ao estúdio para produzir não um, mas dois álbuns, o primeiro que é “A Brief Inquiry Into Online Relationships”, e o segundo, “Notes On A Condicional Form”, vindo no próximo ano. E este terceiro álbum não conta apenas a história da maturidade de Matty como prometido, mas também sobre a política moderna, nosso relacionamento com a tecnologia e toda a experiência de ser um milenar. Ao fazer isso, eles se debruçam sobre um pop chiclete (‘TOOTIMETOOTIMETOOTIME’), falhas eletrônicas (‘How To Draw / Petrichor’), balada (‘Be My Mistake’), neo-jazz (‘Sincerity Is Scary’), trad jazz (‘Mine’) e vários outros entre eles.

Se esta é a continuação da história de Matty Healy, as coisas estão indo bem ou caindo aos pedaços, dependendo do seu tipo preferido de rock star. Este é o álbum no qual as tendências autodestrutivas de Matty se consolidaram, a psicose da cocaína de ‘UGH!’ em 2016 se transformou em clichês do rock sobre vício em heroína, reabilitação, terapia e solidão, em um estúdio residencial de com isolamento solar em LA.

Uma experiência rica de vida que dá ao álbum formas surpreendentes, a não menos importante: ‘It’s Not Living’, um pop banger estilo ‘Pretty In Pink’ que canta sonhadoramente sobre heroína como se fosse um grande amor perdido (“Tudo que faço é sentar e pensar em você / Se eu soubesse o que você faz / Recolha minhas veias usando lindos sapatos / Não é viver se não for com você”). É engraçada, inteligente e agradavelmente honesta, e nem é a mais confessional aqui – essa seria uma mistura entre ‘Be My Mistake’, uma canção de cortar o coração e encharcar a culpa sobre a solidão e a infidelidade nas turnês, ou ‘I Always Wanna Die (Sometimes)’, a grande faixa final, que é tão pessoal e intensa que pode deixar você em lágrimas.

Então, por um lado, é um álbum pessoal sobre a experiência de Matty, mas também é um álbum sobre o amor em todas as suas formas (mesmo que seja por deliciosos opiáceos), sendo o amor o fio que une as faixas. E há uma escala macro para o álbum, que serve de espelho para a sociedade, assim como para a bela fisionomia de Matty. A imponente “Love It If We Made It” se destaca e aponta, horrorizada, para os horrores do mundo real que de alguma forma se normalizaram, do jeito mais chocante, com “uma praia onde crianças de três anos se afogam” e as palavras do Presidente dos Estados Unidos da América, repetida textualmente, “eu cheguei nela como uma cadela”, não dando nenhuma opinião particular e pedindo ao ouvinte que tirasse conclusões.

O interlúdio do álbum, ‘The Man Who Married A Robot / Love Theme’ é um poema narrado por Siri (sim, aquela que vive no seu bolso), uma alegoria tipo Vonnegut sobre solidão, dados, mídias sociais e vício na internet, sobre um homem, Snowflakemasher86, e seu amigo, A Internet. “Quando o homem ficava triste, o amigo tinha tantas maneiras inteligentes de fazê-lo se sentir melhor / Ele o trazia animais cozidos e mostrava a ele as pessoas fazendo sexo novamente. E ele sempre concordava”), diz ele.

É fácil ver ‘The Man Who Married A Robot / Love Theme’ como a “Fitter, Happier” do álbum, e não é o único momento em que “A Brief Inquiry” implora comparação à obra-prima do Radiohead de 1997, “OK Computer”. Esse álbum, também o terceiro da banda, teve uma visão sombria da vida moderna, quando a internet era um luxo que poucos tinham acesso. Duas décadas depois, o álbum do The 1975, escrito a partir da perspectiva de quatro nativos digitais, não condena tanto a marcha da tecnologia, da informação e da mídia social quanto a aceita e a debate. É um registro com nuances para uma época em que os tons de cinza da vida são mais escuros e mais próximos do que antes, e o resultado não é tão menos poderoso.

E das cinzar surge a cor. Floreios eletrônicos para deleitar-se. Coros evangélicos para elevar a alma. Cada música oferece um prazer inesperado: a adorável “Surrounded By Heads And Bodies” pula em uma batida de tambor que muda o tempo, onde um refrão normalmente ficaria; ‘I Like America & America Likes Me’ é do estilo Kanye West em seu uso virtuoso de autotune; ‘Inside Your Mind’ mistura pós-rock dos anos 90 com baladas e ‘I Couldn’t Be More In Love’ é um pastiche de canções de casamento dos anos 80, uma de um punhado de canções que são tão grandiosas, ousadas e emocionais, que você espera que as turnês futuras requeiram seis bis para tocar cada uma delas com a gravidade apropriada. Talvez a maior surpresa venha na forma de “Mine”, um número de jazz influenciado por Cole Porter que evoca a época de ouro de Hollywood, trilhas sonoras da Disney e crooners, enquanto reflete ironicamente a vida moderna (“Eu luto contra o crime on-line às vezes / escrevo rimas, eu me escondo atrás”), uma dissonância chocante que parece ser a primeira vez em que se ouve uma música que já se conhecia a vida toda.

‘Mine’ é um trabalho de tirar o fôlego, e um dos muitos aqui que prova que a equipe principal de composições, Matty Healy e George Daniel, não é apenas a dupla mais talentosa e criativa trabalhando no pop agora, mas a coisa mais próxima que temos um atual Lennon e McCartney, um par cujo toque de ouro os torna quase inatacáveis. Inteligente e profundo, engraçado e leve, sério e comovente, dolorosamente moderno e clássico, tudo ao mesmo tempo, ‘A Brief Inquiry Into Online Relationships’ é um álbum que muda o jogo, desafiando os colegas do The 1975 – se, de fato, há algum jeito – a melhorar o seu jogo.

Então, Healy se propôs a descrever sua própria experiência, mas, ao fazer isso, produziu um artefato que resume a vida milenar, uma obra-prima pop que só poderia ser feita agora e aqui mesmo. E para cada piada estúpida que você já ouviu falar sobre abacates e preços de casas e espaços seguros e mãos de jazz, esta é uma obra de arte que mostra um outro lado de uma geração, de conquista, inteligência e humanidade no mais confuso dos tempos. Garotos espertos.

Matty fala sobre a letra de ‘Love It If We Made It’ para a Genius

As músicas do próximo álbum da banda estão recheadas de críticas sociais, o clipe de Love It If We Made It trouxe diversas imagens de acontecimentos que envolvem política e movimentos sociais ao redor do mundo. Trechos como “Thank you, Kanye. Very cool.” e “I moved on her like a bitch” são críticas ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O site Genius, famoso por explicar letras de músicas, convidou o Matty para explicar um pouco mais da música que é single do ABIIOR.

Confira o vídeo traduzido pela equipe: