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Conceito do álbum “I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it”

Com o lançamento do novo álbum ficou claro que a banda estava em uma nova era, com toda essa inovação, a banda postou esse texto em seu site oficial no formato de post fixo, como se fosse um tipo de biografia, confira:

“Antes que Matty Healy pudesse batalhar com o mundo novamente, ele teria uma pequena razão para lutar contra si mesmo primeiro. As 17 canções do notável e incandescente novo álbum do The 1975 “I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it” dá algumas pistas do que envolve essa batalha. Agora, eu poderia fazer algumas suposições do que se passa na cabeça de Matty, mas estas seriam incertas — por outro lado, não tenho certeza se o próprio Matty sabe o que acontece lá dentro — ou talvez saiba, mas muda de minuto em minuto — então como poderíamos saber? Confiança, dúvida angustiante, introspecção mórbida e incessante auto-laceração certamente desempenham um papel; o mesmo quanto arrogância, urgência, paixão, pânico; adicione aquela ambição, exaustão, júbilo e desânimo. Como diz um dos círculos internos da banda, “Matthew tem o que todo representante tem: um ego enorme, e uma auto-estima extremante baixa. Isso é ótimo para um representante; para a saúde mental de um ser humano, porém, é debilitante. Sua confiança alcança o céu, mas é curta. Ele tem auto-confiança e resiliência incríveis, e uma enorme ética de trabalho, mas tudo isso é sombreado por um lado mais sombrio.”
Quando Matty canta na faixa If I Believe You, “Se estou perdido, então como posso me encontrar?”, os fãs vão identificar de primeira. A relação entre The 1975 e sua fanbase é construída a partir de um empático, quase telepático entendimento. Isso ajuda a compreender o motivo pelo qual os shows da banda tem o fervor de um encontro revivalista; e porque, não importa quão grande o The 1975 se torne, eles permanecem conscientes da participação vital que seus fãs tem em tudo que fazem. A ideia de ser ariscos, ícones pop remotos, inacessíveis por trás de uma corda de veludo, é um anátema para eles. “Nós temos fãs, e então temos fãs. Por que você gostaria de se sentir acima disso? Uma grande parte da energia no que estamos tentando fazer vem de seu envolvimento emocional e compreensão da maneira que eu sinto as coisas. Eu nunca dramatizei ou tornei um fetiche a realidade do vício, ou flertei com a ideia de suicídio e temas como isso, mas não quer dizer que os tenha esquivado, e acho que é por isso que eles se relacionam conosco. Estou convencido de que o que as pessoas realmente querem investir quando se trata de música é em algo como o qual realmente pode se identificar. Se não, o que? Não passa de um plano de fundo? Música é mais que isso. É tudo.”

Essa atitude forma todo compasso, palavra e textura no novo álbum. É como se tudo que banda já fez, todo o contratempo e triunfo pelos quais já passaram, os tem levado a esse ponto. Na abertura, uma versão refeita da faixa que iniciava seu primeiro álbum, para o pesado demo acústico de She Lays Down, passando pelas monstruosas músicas chiclete Love Me, She’s American, The Sound e This Must Be My Dream, às inexplicavelmente lindas baladas Change of Heart, Somebody Else e Paris, à incrivelmente frágil e aguda Nana, na qual Matty escreveu sobre a morte de sua avó; ao ambiente crepuscular de conturbada auto-investigação de Please Be Naked, Lostmyhead e “I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it”, e à angustiante irresponsável e inventariável franqueza de The Ballad of Me and My Brain e Loving Someone, o álbum embarca em uma jornada de voltas e reviravoltas, o seu pouco ortodoxo mas brilhantemente realizado sequenciamento — e seu insanamente longo título — é uma emocionante afirmação do que torna esta banda tão desafiadoramente individual e firmemente indiferente às velhas fórmulas cansadas da máquina pop.

Quando o The 1975 surgiu pela primeira vez em 2012 com o EP Facedown, ficou instantaneamente claro que essa banda seria controversa, até problemática, para alguns. O seu som era desavergonhadamente glamoroso (uma das palavras favoritas de Matty), suas letras confessionais estilo coração-na-mão, direto-das-entranhas, sua música descaradamente diversa. E, em seu vocalista, a banda possuía um cantor que viu o desempenho ao vivo como um precipício apenas pedindo para que saltasse dele. A cabeça de Matty pode ser uma mistura de um nevoeiro impenetrável e uma lucidez surpreendente, mas ele sempre foi totalmente claro sobre a primazia do carisma ousado e compromisso feroz na composição de um vocalista. Nunca se desculpar, ele diz, tem sido o mantra da banda há tempos.

Os 4 amigos de escola formaram a banda a 13 anos atrás em Wilmslow, Sul de Manchester, eles podem ser acessíveis aos fãs mas mantém uma feroz distância quando se trata ao espaço criativo deles e quando estão lidando com a indústria da música. “Nós somos um produto do nosso meio.” diz Matty. “Nós somos como irmãos, nós realmente somos. Por 13 anos nós temos dividido o mesmo quarto, juntos. A banda sempre foi o núcleo de tudo.” Essa mentalidade é também o produto da infelizes experiências, nós primeiros dias, de indiferença da gravadora.
“Ainda há esse equívoco lá fora,” diz o empresário da banda Jamie Oborne, “que eles conseguiram isso facilmente, que eles assinaram um contrato de gravação massivo e imediatamente tiveram um single que era hit. A verdade é diferente. Ninguém queria contrata-los – ninguém. Gravadoras, agentes, publicitários, nenhum desses queria saber deles. Eu tentei por volta de quatro anos conseguir alguém que pudesse facilitar e apoiar nossa visão. Tudo que eu conseguia era, ‘Nós não os entendemos; eles parecem diferentes demais de uma música para outra. A Radio vai odiar,’ e eu sempre pensei, ‘mas isso é exatamente o que é incrível neles’, o mantra do Matty é como eles criam na maneira que eles consumem.”

Quando a banda auto titulou o álbum o de estréia – lançado independente pelo selo da Dirty Hit, que Jamie tinha configurado especialmente para a The 1975 – entrou no chart do Reino Unido em primeiro de setembro de 2013, tinha um certo sentimento de
vindicação. Mais importante, cimentou na mente deles o sento que, se a banda fosse significar alguma coisa, a banda teria que se agarrar ao que eles acreditavam, confiar em seus instintos e resistir a interferências de fora. 10 anos de esperanças que surgiam e promessas quebradas, erros, falsos começos, endureceu os 4 amigos, e agora, com o prêmio de repente ao seu alcance, eles não estavam nem perto de mudar o rumo. Aquele velho: “eles parecem diferentes demais de uma música para outra”, tinha sido jogado de volta para seus detratores, depois de tudo, foi como o ditado, quem ri por último, ri melhor.
Como Matty diz, com um fogo real, atitudes assim, atingem gerações de bandas pré-históricas, “a adesão histórica de um tipo de qualquer coisa é tão sem sentido e é algo que não entra na minha mente. Se eu sou inspirado por alguma coisa, minha atitude é “estou pegando isso”. Se alguém tem um problema com isso. bom, eu não me importo, ninguém mais se importa com esse tipo de coisa. Além disso, estamos em 2016, tudo já foi feito. Você só tem que tentar fazer melhor, que é o que nós fizemos. Minha geração consume música de uma maneira não linear e nós refletimos nisso porque é assim que criamos. Pessoas de 15 anos estão escutando A$AP Rocky, mas, também escutam coisas que são completamente opostas a isso. Por que criar um tipo de música se ninguém consome um tipo de música? A ideia de regras é completamente uma farsa.”

Não é um manifesto oficial, mas, o I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it demonstra, que poderia ser. Quem mais, a não ser o The 1975 seguiria o pop perfeito de rádio groove, conhecendo letras como She’s American com If I Believe You? Os últimos acordes da canção com coros, cascata harpa e trompete: um hino devocional de tormento, inquérito existencial. A maioria das bandas, que pertencem a maiores gravadoras, teriam enterrado If I Believe You no fundo do final do álbum. Não o The 1975, e eles estão certos, estão onde deveriam estar, a canção é devastadora e precisa por conta do contraste.

A queridinha da banda é a paleta sonora dos anos 80, que domina as músicas novas, que soam como Peter Gabriel, Scritti Politti, INXS, Hall & Oates, Jam & Lewis and Tears For Fears; mas existem outros pontos de referência escurecem a bebida do – Lostmyhead e o título I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it tem um tipo Sigur Ros, expansivo e complexo – testamento, como todo o álbum, o papel interpretado pelo George Daniel, é de um arquiteto sonoro de inventividade extraordinária e de muita ambição, que com o Matty, escreveu o álbum. Como o Matty é rápido para admitir, sessões de gravações lotavam a agenda e sempre era intenso, embora eles estavam muito alegres também. No estágio inicial das gravações, os dois, ele e George estavam lá, e ele disse “em jeitos diferentes, em lugares muito ruins”. Anos de turnê sólida tinham feito vítimas, e tinham momentos onde o par lutou com a carga de criar a continuação do primeiro álbum. “George e eu somos como irmãos, nós nunca ficamos longe um do outro. Nós completamos um ao outro. E meus problemas na época nos separaram um pouco. Catalisou os problemas que ele tinha e com isso solidificou todos os problemas que eu tinha, isso se tornou uma época realmente obscura. E com isso tivemos The Ballad Of Me and My Brain. Então, agora, retrospectivamente, eu posso pensar que estava tudo bem, mas eu realmente fodi a nossa relação de casal – porque nós somos um casal, sério. – A distância que nós ficamos um do outro se tornou uma parte muito importante do álbum. Quando o George melhorou, a união que sentimos quando nós dois voltamos a ficar juntos foi tipo ficar longe de sua esposa por 6 meses e então você vai simplesmente busca-lá no aeroporto e foi um dia ensolarado e era um feriado também. Eu sei parece loucura, mas é verdade.”

“O vocabulário que George e eu compartilhamos é incompreensível, é como taquigrafia. Tem uma parte em Nana, que tudo para e eu lembro do George dizendo, ‘Vamos só por uma memória aí, vamos fazer isso para que sua voz possa se tornar distante e você possa por a memória lá’ e eu estava tipo ‘Caralho!’ E nós conseguíamos diariamente, o que chamamos de fantasmas – pequenas harmonias e notas fantasmas, momentos que são criados por harmonias de coisas certas tocando em outras coisas. Algumas vezes eu dizia a George ‘Desligue essa batida.’ e ele dizia ‘Não tem nada aqui.'” Nessas sessões, de acordo com o Matty, era tudo era sobre confiança, tudo sobre a ligação que eles fizeram primeiramente na escola. “Existem todos esses produtores com grandes nomes, mas para mim eles não estão fazendo nada que os torne tão interessantes quanto George é. Ele estaria sempre dizendo que não sabe o que está fazendo e eu sempre estaria tipo ‘Isso é da onde nossa banda vem, essa é a beleza disso.’ O que nós estávamos perseguindo é o sentimento que tínhamos quando nós fizemos nossas músicas, originalmente, aliviados de qualquer medo, ou pensando ‘Adultos vão ouvir isso e provavelmente desprezar.’
Demorou um tempo para colocarmos nossas cabeças no espaço, mas uma vez que conseguimos fazer o nosso mundo, um estúdio, quatro paredes, quatro meses sem partidas, apenas vivendo lá, nós encontramos. Os pedaços dolorosos tinham acabado.”
Liricamente, o álbum novo reflete as convulsões, triunfos, traumas e perdas na vida de Matty nos últimos 3 anos. As letras dele são alternadamente maliciosas, afetuosas, impiedosas, seguras de si, auto-recriminatórias, suplicantes, narcisista e cheias de remorso – uma destilação que acontece incansavelmente na mente dele. “Eu acho que nossos fãs entendem a vulnerabilidade também. Eles reconhecem esse estranho solitário que flerta com as coisas e entende errado. Eu costumava pensar ‘Se eu for bem sucedido eu vou ser capaz de ir em todos esses lugares legais, eu serei apenas um deles, mas eu não sou, eu ainda sou eu, e eu ainda sou um idiota e eu ainda fico nervoso sobre coisas e mudo minha personalidade um pouco para falar com alguém novo. Você, recentemente, passou um tempo com as estrelas do pop moderno? Você fica parado lá e pensa, ‘Você tem um rosto bonito, mas o que você tem a dizer? E você realmente pode ser o melhor amigo de todas as pessoas populares no Instagram?’ Se lembra do Grammy, quando você viu Paul Simon perto de George Harrison e David Bowie? Aquilo foi, que deveria ser preservado – pessoas que trabalharam em seu ofício para conseguir um ponto onde pessoas queriam olhar para fotos deles três juntos, porque eles representavam alguma coisa, um ideal que tem sido trabalhado e atingido justificadamente, o oposto a ter um iPhone e um contrato de gravadora.”
Deixar outras pessoas em restos é um grande problema, Matty admite (e várias músicas novas falam sobre isso). “Teve uma época onde minha ex namorada me ligou, e ela disse, ‘Você perde tudo que você admira.’ E eu estava tipo, ‘Wow.’ E isso é toda minha coisa sobre a própria obsessão: por que eu sou tão obcecado comigo mesmo que eu não posso nem ter uma namorada porque elas se tornam um embaixador para mim.”
Caracteristicamente, Matty solta uma risada vazia enquanto ele diz isso, antes de continuar, “O que eu aprendi sobre a felicidade é que aqueles que procuram por felicidade para si mesmo, procuram por vitória sem existir uma guerra. A jornada é o ponto de tudo. Eu tenho essa coisa de viver o momento e ser feliz; Eu encontrei muito tempo, eu sinto falta do “agora” no meu dia-a-dia, porque eu estou tão preocupado em ser feliz e estar presente. Eu simplesmente sinto falta. Tenho todo esse tempo, esse problema constante, eu vivi minha vida inteira romantizando coisas retrospectivamente e escrevendo sobre elas.”
O que vai ser interessante agora, diz Jamie Oborne, é o fato de que, “Matty tem procurado por dentro, durante o ano inteiro, e agora, repentinamente, seu olhar está para fora, e ele tem se tornado o que ele vê como um vendedor. Então tem essa
dualidade gritante. Ele trabalha muito em sua arte, a banda inteira faz isso, todos lutamos para estar presente. Ele vive a vida em extremos; Ele é totalmente comprometido ou então é um
crônico procrastinador. É uma coisa cíclica. Ele julga a si mesmo e é extremamente duro. Quanto mais avançamos, e não importa quantas oportunidades ele tenha para para alcançar o que ele chama de ‘a busca pela excelência’, ele sempre quer ser melhorar, tornar a banda melhor.”
Matty, Ross, Adam e George fizeram um álbum de tirar o folego,
com ambição, é profundo e lindo, um álbum que vai vir para definir 2016, e ser olhado como uma virada de jogo. Você sente isso, em um nível, Matty meio que sabe disso. Ele acredita 100% nisso, embora, bem, ele não seria Matty Healy, seria? A questão que precisamos fazer a nos mesmos é essa: teríamos outra maneira?”

Tradução: Anny Caroline & Sophia Allen

Fonte: The 1975 Oficial

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