Tradução: Matheus Perez (@mattspeedyou)

Matty Healy está impressionado com a vista. O mancuniano de 29 anos fica em silêncio ao observar a extremidade inferior de Manhattan do 40º andar do One World Trade Center. É o único momento durante a nossa conversa que as palavras se desfazem.

Ele está aqui para falar sobre o Brief Inquiry Into Online Relationships, o terceiro álbum da banda, The 1975. Ao discutir suas composições, palavras como “desconstruído”, “antológico” e “pós-moderno” surgem constantemente, e o registro reflete sua filosofia incontestável do mundo. O álbum conta com hinos de rock que definem a nova era, tenras baladas, uma faixa de jazz sobre como manter as coisas de um modo casual; e uma faixa pop reluzente que fala sobre a decisão de Healy de superar seu vício em heroína. Há, também, um monólogo assustadoramente engraçado narrado por Siri.

Mesmo com o planejamento do próximo álbum, intitulado Notes On Conditional Form – inspirado pela cultura au courant – Healy não deixa de valorizar as 15 músicas do A Brief Inquiry. Por enquanto, Matty, que lidera uma das bandas mais implacáveis da década, parece contente, acrescentando uma nova dimensão de sabedoria à sua marca registrada de sinceridade. “Eu não tenho medo de nada”, diz ele calorosamente. “E eu não estou escondendo nada.”

 

  1. ‘The 1975’

    Pitchfork: A introdução autointitulada se tornou uma tradição em seus três álbuns até agora. Cada faixa tem a mesma letra, mas arranjos diferentes. Essa é a versão mais esparsa e estranha de todos os tempos. Como isso aconteceu?

    Matty Healy: Durante a produção do disco, eu tive uma introdução diferente baseada em Steve Reich, como xilofones e cordas. Eu estava trabalhando nisso por muito tempo e eu simplesmente não conseguia fazer as coisas funcionarem. Então, dois dias antes de entregarmos o disco, não tínhamos uma introdução. Então, pensei: “Por que eu não vou tocar um pouco de piano? Talvez alguma de interessante aconteça.” Essa foi a última faixa do álbum, e foi um verdadeiro pânico. Mas assim que conseguimos gravar essa versão, eu falei: “Isso está do caralho.” Eu comecei o dia me odiando, mas o terminei me sentido orgulhoso de mim mesmo.Você acha que vai abandonar essas intros no futuro?Eu amo drama e subtexto e essa merda toda, então acho que vou manter esses temas. É sempre um sinal de onde estamos. Em vez de tirar uma foto de alguém, é como fazer um vídeo de cinco minutos – eles têm de se contorcer um pouco.
  2. “Give Yourself A Try”Você parece estar falando com seus fãs mais jovens nessa música.

    É sobre como você é, seja por meio da cultura pop ou da literatura, presenteado com a ideia desses destinos de felicidade, de ser um adulto e de se sentir bem consigo mesmo – e isso nunca realmente acontece. Eu adoraria falar comigo aos 40 anos e ver o que consegui e o que sinto…, mas serei a mesma pessoa neurótica que está se esforçando para ser um adulto.Você acha que essa atual geração de adolescentes tem mais dificuldades do que você?

    Definitivamente. Eu tenho um irmão que é 13 anos mais novo que eu. Quando eu estava no ensino médio, se houvesse uma briga, haveria o acúmulo de tensão, depois a briga, e depois as consequências, onde as pessoas falam merda, mas então as pessoas voltariam para suas casas e era isso. Mas meu irmão estava me dizendo que agora, com o Twitter, a luta é só o começo. Uma vez que todos vão para casa, a adrenalina está nas alturas, então todos ficam vidrados em seus smarthphones [Matty imita animadamente alguém digitando em um telefone]. Então, outras 15 lutas se organizam para depois da aula e depois a merda acontece. Depois, você vai para casa, e todo mundo fica acordado até as quatro da manhã, pensando: “mano, você tá tão fudido!” E então, no dia seguinte, todos voltam à escola extremamente cansados. Ninguém consegue se concentrar, e todo mundo está brigando.

 

  1. ‘TOOTIMETOOTIMETTIMETIME’Essa é uma faixa pop relativamente simples no contexto do álbum. Foi contra intuitivo escrever algo assim?Essa é a palavra certa, contra intuitivo. De um modo despretensioso, posso dizer que é uma celebração de quem eu sou no momento. E isso me permite ser igualmente sério, frívolo e emo. Eu começo a brincar com todos esses pedaços da minha identidade que eu criei ao longo dos anos. Então é por isso que, quando eu estava fazendo essa música, eu não tinha o tipo de síndrome de “artista sério” que eu tinha antes. Fazer um disco é como delinear uma personalidade, e você não pode fazer isso sem que seja incrivelmente dinâmico. Porque é isso que uma personalidade é – um amontoado de coisas.Desde que as músicas falem sobre algo, não importa. Quando as músicas são apenas rimas e não significam nada, eu não me interesso. Mas as músicas podem ser sobre a frivolidade em si – se é uma boa música sobre frivolidade. Por isso, o projeto começou a ser um pouco contra intuitivo, mas depois pensei: “Eu amo música pop! Eu não tenho que me desculpar por isso. E isso não nega meu intelecto ou integridade”. Além disso, a música simplesmente não iria funcionar se eu estivesse tentando ser prolixo. Não iria soar bem. Também não seria divertido, porque tem que ser sobre o que a música realmente é.

    4. ‘How To Draw / Petrichor’

    Essa música soa como uma homenagem à garage music do Reino Unido. Qual é a sua história com esse gênero?

    Crescer no Reino Unido significa escutar dance music na rádio depois das sete da noite. É a trilha sonora para a vida noturna, para ficar acordado até tarde, para ser criança. Então, somos nós tentando homenagear o gênero e a época de quando éramos mais jovens. É por isso que “How to Draw” veio naturalmente, porque essa é a nossa identidade. É de onde nós viemos.

    Essa influência é uma prévia de onde a banda está indo no próximo álbum?

    Há um elemento de uma prévia na produção, porque é uma obra-prima do [baterista / produtor George Daniel]. No momento, se nós apenas colocarmos o que temos, não cairia bem. Mas está tomando forma. Não fazia sentido fazer uma turnê por dois anos e depois fazer um álbum, tendo em mente a banda que eu quero ser. Não é como está acontecendo agora. Não é nem como eu consumo as coisas: eu vejo algo no Netflix e é tipo: “Essa foi a melhor coisa que eu já vi. Próximo?”

    5. “Love It If We Made It”

    A primeira coisa que essa música me fez pensar foi no grupo escocês Blue Nile, particularmente a música “The Downtown Lights” de seu álbum Hats de 1989.

    Isso mesmo. Isso definitivamente começou quando nós apenas ouvíamos “Hats” todas as noites antes de subirmos ao palco. Ouvimos tanto aquele disco que ele até quebrou. É um pouco diferente; é como Blue Nile em esteroides. Queríamos que soasse realmente como uma máquina, no sentido industrial.

    As letras são muito do momento, com referências a Trump. Kanye e Lil Peep. Como você escreveu sobre eles?

    Basicamente, todos os dias depois de ter lançado o segundo álbum, eu pedia ao Ed Blow [gerente de produtos da Dirty Hit Records] para pegar tabloides a caminho do escritório para que eu pudesse, eventualmente, escrever uma música sobre as manchetes. O triste é que o resultado disso tudo ficou bem engraçado.

    Você consegue se lembrar de alguma parte que foi cortada?

    Havia uma manchete bem engraçada sobre um cavalo: “Hambúrguer de Cavalo Abatido Pelos Britânicos”, ou algo parecido com isso. E tinha algo sobre enfermeiras estrangeiras, também. Então, eu decidi não mexer em nada. Mas então, toda vez que algo realmente me tocava, eu escrevia algo sobre. No final de contas, eu tinha um monte de material, mas tinha que fazer tudo rimar. Essa foi a parte mais difícil.

    Houve momentos particularmente memoráveis durante as composições?

    Houve um tempo durante a produção do disco que comprimir ideias era melhor que qualquer droga. Eu estava no meu carro e eu tinha que usar essa parte da letra. Eu tinha: “Consultation, degradation, fossil-fueling masturbation/Immigration, liberal kitsch, kneeling on a pitch…” E depois eu tinha “excited to be indicted.” Eu tinha todas essas coisas, mas eu não tinha como interligá-las. Eu precisava de sete sílabas. E quando eu usei aquele tweet do Kanye West, eu pensei comigo mesmo: “O que mais ele disse?” Então foi como [Matty canta uma melodia triunfante] os espaços de sílabas de “I moved on her like a bitch” surgiram, bem estilo game show, e eu fiquei tipo “Oh meu Deus! Eu consegui!” E então os meninos da banda ficaram tipo: “É outro palavrão”. E eu fiquei tipo “Ah sim, isso é um pouco chato”. Mas então eu fiquei tipo: “Não, se formos censurados, seremos censurados por fazer citações diretas do presidente dos EUA. Essa é a música em sua essência. Quão estranho é a realidade?

    6. “Be My Mistake”

    Essa música é particularmente vulnerável. É uma balada que toca como se você estivesse cantando para apenas uma pessoa. Sobre o que você estava escrevendo?

    “Be My Mistake” é sobre culpa. É sobre quando você é uma pessoa jovem e você luta às vezes para descobrir o que você realmente quer. E às vezes, como muitas situações, você precisa cometer um erro antes de realmente entender a si mesmo. E então, talvez, você acabe afastando as pessoas, e você acaba percebendo que a ideia de um relacionamento com alguém não é realmente algo que você quer.

    O arranjo é bem simples. É praticamente voz e violão.

    Eu amo Nick Drake e esse tipo de música, mas eu não gosto da ideia desse novo tipo de cantor e compositor moderno. Então eu sempre procurei a me distanciar disso estilisticamente. Entretanto, percebi que é onde a verdade está. Basta fazer isso direito. Eu quero falar diretamente com as pessoas. Se você vai dizer a verdade desse jeito, então não tem como mascará-la.

    7. “Sincerity Is Scary”

    Essa música é uma espécie de pensamento em espiral, como se você estivesse imaginando dois lados de uma conversa.

    Sou eu denunciando todo o meu pós-modernismo. O fato de ser sarcástico em vez de sincero. É uma crítica a mim mesmo, e acho que isso é algo saudável. É muito bom ouvir uma estrela pop – ou uma estrela do rock, seja lá o que eu for – se preocupar com noção do seu potencial de ser uma pessoa boa. Eu gosto disso.

    A canção tem a participação Roy Hargrove, trompetista do jazz, que faleceu no início deste mês. Como foi sua relação de trabalho com ele?

    Foi algo intenso. Você se sentia amedrontado só de vê-lo na mesma sala que você. Ele tocou as trombetas no álbum “Voodoo” do D’Angelo, que é a seção de metais mais icônica de todos os tempos. De longe, ele foi o maior músico com quem já trabalhei. Foi o primeiro falecimento de alguém que trabalhou conosco. Algo morreu na música e isso me deixou muito triste.

 

  1. “I Like America And America Likes Me”A turnê mudou a maneira de como você olha para os Estados Unidos em comparação com outros países?

    Se todos fizessem o que eu faço, haveria menos divisões. Isso soa como uma declaração e tanto, mas o que estou querendo dizer é: se você faz a mesma coisa em lugares diferentes o tempo todo, então acaba se tornando exatamente a mesma coisa. Toda noite parece, cheira, soa, reage e opera exatamente da mesma maneira. Sim, percebo a maneira como as pessoas têm cabelos mais escuros no México do que na Escandinávia. Claro. Mas as coisas que você percebe são as semelhanças. Em termos de personalidade, há diferenças, mas estamos todos preocupados com a mesma merda. Todos estão com medo de morrer!Também tem uma forte presença de auto-tune na sua voz nessa música. O que você gosta sobre esse efeito?

    O efeito não só modifica, mas também para, comprime e pontua sua voz. Isso a transforma em um instrumento. Mas também, essa música começou como uma homenagem ao Rap SoundCloud. Para mim, representa o atual cenário musical dos Estados Unidos. Eu estava até pensando em adicionar uma voz sussurrada, só para ver até onde eu conseguia ir.9. “The Man Who Married A Robot/Love Theme”

    Esta é uma faixa recitada pelo assistente virtual Siri. Fala sobre um homem solitário que se apaixona pela internet. O quanto você se identifica com esse personagem?

    Provavelmente mais do que eu gostaria. A remoção da experiência humana, como ouvir um robô dizer “animais cozidos”, traz uma vibe negativa, não é mesmo? Por que é uma vibe ruim? Essa é a pergunta que estou fazendo. É o reconhecimento de uma realidade distópica já existente. Soa como um aviso do que futuro poderia ser, mas você percebe que é exatamente o que estamos vivendo.

    De onde surgiu a ideia para este monólogo?

    A ideia original era que meu pai e eu lêssemos o texto. Mas eu fiquei tipo “Foda-se isso, vai ficar zuado” E então ficamos tipo: “Então, como vai ser?”. Mas não demorou muito para criarmos algo. No início deste ano, depois da minha reabilitação, eu estava obcecado com a década de 2020. “Como vai ser essa próxima década?”. Era uma ideia meio retro futurística. Eu tingi meu cabelo de roxo, usava um casaco laranja e pensava, “Tudo vai ser super futurístico!” Eu estava fissurado nessa ideia. Eu só pensava: “robôs, robôs, robôs”.

    Como uma banda tão intimamente ligada à internet, você acha que esse é o álbum em que vocês se voltam contra isso?

    Eu estou apenas fazendo perguntas. O que é estranho para mim é o material com que nos acostumamos. Quando ouvi pela primeira vez aquela voz de robô no OK Computer, foi tipo, argh! Isso é assustador pra cacete! A ideia de uma voz sintetizada é assustadora. Mas agora, você poderia ter essa faixa no fundo e nem mesmo iria perceber! As pessoas colocam essas vozes na cozinha e ficam tipo “ME PASSE OS OVOS” e o robô diz “OK”.

    Também é difícil porque, como compositor, só faço perguntas. Katy Perry fará uma música em que ela dirá “epic fail” ou algo assim, mas o novo álbum de Leonard Cohen não vai fazer referência ao FaceTime, certo? Mas, para ser realmente, realmente verdadeiro sobre a experiência humana, ele meio que teria que, se estivesse falando sobre um relacionamento, falar algo do tipo: “Oh meu amor, longe, em uma terra distante… eu poderia entrar em contato com você em um segundo!”. A internet mudou completamente todas as perspectivas de como nos relacionamos uns com os outros.

    10. ‘Inside Your Mind’

    As letras dessa música soam meio obsessivas. Você orbita entre amor e violência: “Eu tive sonhos onde há sangue em você / Todos aqueles sonhos onde você é minha esposa.”

    “Inside Your Mind” é apenas a ideia de que, às vezes, você quer saber tanto o que seu parceiro está pensando que você quer abrir a cabeça dele para olhar. Eu gostei disso como uma metáfora. Às vezes, eu gosto da ideia de coisas morbidamente românticas Eu expliquei para a minha namorada, e ela achou muito sexy.

    11. “It’s Not Living (If It’s Not With You)”

    Essa é uma música sobre vício em heroína, em que você canta sobre um personagem chamado “Danny”. A quem você está se referindo?

    Eu acho que estou tentando conscientemente escondê-lo atrás de alguém ao escrever sobre sua luta. Tipo: “Então eu tenho esse amigo, né. E ele tem uma espécie de vermelhidão na genitália.” [risos]. Essa é a vibe da música. Mas é bastante óbvio que é sobre mim. Antes eu tinha muita relutância em falar sobre isso. Eu não queria falar sobre ser um viciado em heroína por cinco anos – tendo pesadelos reais sobre a ideia de alguém descobrir. Então, houve uma hesitação humorística em divulgá-la nessa música.

    O que você estava tentando expressar sobre o vício nessa música que você não tinha ouvido antes?

    Eu não teria escrito sobre heroína a menos que tivesse me curado. O fato de eu usar heroína nunca foi uma razão boa o suficiente para eu falar sobre isso. Eu não acho que Kurt Cobain tentou romantizar o vício em drogas. Publicamente, ele era a pessoa mais legal do mundo, e o grunge era tão obscuro. Ele só estava dizendo a verdade. Considerando que Pete Doherty era um personagem diferente. Essa era a coisa que eu sempre tive medo – ser uma celebração detestável desse tipo de doença. Eu me senti tão sortudo. Eu não perdi coisa alguma. E é normalmente por esta razão que as pessoas vão para a reabilitação: elas perderam tanto que não suportam perder mais nada. Mas eu tive sorte.

 

 

  1. ‘Surrounded By Heads And Bodies’Isso parece uma música de reabilitação. Ângela, a pessoa para quem você está cantando aqui, seria alguém que você conheceu lá?Sim, era só eu e essa outra pessoa. Ela estava alocada em uma residência na mesma região. Nós raramente nos víamos, a não ser nas sessões de terapia em grupo. Ela era uma mulher tão linda e adorável. Eu senti uma conexão real com ela. E logo descobrimos que morávamos na mesma rua em Manchester! E nós estávamos em Barbados. Foi algo bem louco. Logo essa rua!O título desta música é de Infinite Jest, de David Foster Wallace. Que significado esse livro tem para você?

    Eu estava lendo isso quando estava na reabilitação. Não havia ninguém lá. Era eu e minhas enfermeiras, que entravam e me monitoravam. Além disso, só tinha a Ângela morando a quilômetros de distância. Eu estava sozinho, e o livro estava aberto na primeira página, como a maioria das cópias de Infinite Jest.

    A citação vem das linhas de abertura do livro.

    Essa foi a piada. Porque ninguém lê o livro inteiro! Todo mundo da nossa idade tem uma cópia do Infinite Jest.

    13. ‘Mine’

    Eu não esperava uma faixa de jazz vindo de vocês.

    Nem eu. Veio do nosso amor por Coltrane. Eu sempre uso a analogia da pega-rabilonga: Uma pega-rabilonga pode coletar um diamante ou um pedaço de vidro ou um pedaço de papel – não importa, desde que seja brilhante e atraente. É a mesma coisa conosco, desde que esse algo seja bonito. E eu queria uma faixa de jazz, porque imagine escrever uma nova música no estilo Gershwin. Apenas imagine uma música nova nesse molde. Isso não aconteceu desde então – é difícil dizer. Qual música chegou perto disso? Foi a “Christmas Song” da Mariah Carey? Essa foi provavelmente a última. Talvez a “Hey There Delilah? do Plain White T’s”? Essa música foi algo incrível. [risos]

    14. ‘I Couldn’t Be More In Love’

    Os vocais nessa faixa são muito intensos. Eu acho que nunca ouvi você cantar assim antes.

    É porque eu me esforço para cantar assim. Algumas pessoas cantam desse jeito e é a coisa mais natural do mundo para elas. Mas para que as pessoas acreditem em mim, tenho que realmente tentar. Os vocais são de um dia antes de eu ir para a reabilitação. Para ser honesto, eu cantei melhor quando saí de lá, mas havia algo nos vocais. Tinha algo meio gutural. Eu estava muito chateado e assustado. Eu sinto que há uma falta de esperança na minha performance.

    É também uma das músicas mais astutas do álbum.

    Sim, é estranho, não é? Tem alguns momentos meio Eric Clapton.

    Especialmente com o solo de guitarra.

    Esse é o meu solo também. Mais uma vez, eu não quero celebrar a parte de quando eu estava viciado, mas houve alguns momentos em que capturamos onde eu estava no limite. Há uma intensidade verdadeira nisso. Gravamos a música uma só vez. Era a demo, e eu arrasei de primeira por algum motivo. Como qualquer coisa, é uma série de pequenos acidentes perfeitos.

    Você acha que você vai mandar bem no solo ao tocá-la ao vivo?

    Ah, com certeza.

    15. ‘I Always Wanna Die (Sometimes)’

    De primeira, essa música me soou como um clássico, como se ela já existisse.

    Isso realmente faz sentido, certo? “Eu sempre quero morrer às vezes …” Eu não sei porque eu não escrevi isso antes.

    Ela é bem Britpop.

    Ela é. Durante a produção, eu fui capaz de acrescentar um certo equilíbrio a ela. Não é uma “Bittersweet Symphony” ou uma música do Oasis, já que não soa tão obscura quanto. Mas, liricamente e vocalmente, tem a alma de Manchester. Eu consegui contatar o David [Campbell], que fez as linhas de guitarra para “Iris” do Goo Goo Dolls, para fazer as linhas de guitarras dessa música. Eu pensava: “Isso tem o potencial para ser algo cinematográfico. Por que não fazer uma versão mais sombria e inglesa de “I Don’t Want To Miss A Thing?” Fazia muito sentido. Enquanto eu trabalhava nela, eu pensava: “Seria essa música o nosso grande hit?”

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