Tradução: Matheus Perez (@mattspeedyou)

Poucas bandas tiveram uma ascensão tão tumultada quanto o The 1975. Por vários anos, o grupo fez turnês sob diferentes nome. E quando finalmente começaram a ganhar uma quantidade considerável de reconhecimento de uma crescente base de fãs, a imprensa só soube virar o rosto para o quarteto de Manchester.

No final da turnê de seu primeiro álbum (The 1975), a banda expandiu sua base de fãs e, consequentemente, a quantidade de elogios. Tudo isso bem a tempo do lançamento do segundo disco (I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it)

Estamos há poucos dias do lançamento de “A Brief Inquiry Into Online Relationships”, e uma verdadeira enxurrada de elogios de publicações está surgindo. Então, o que mudou?

Há um número significativamente menor de músicas instrumentais em ABBIOR. As letras estão no centro das atenções, com histórias dos momentos mais sombrios de Matty Healy, documentadas juntamente com referências a alguns dos momentos mais sombrios do mundo atual, também.

A jornada sonora é impulsionada pela produção de Matty e do baterista George Daniel, e é distinta por seu estilo barulhento e limitado, com eletrônicos Aphex Twin; vocais distorcidos (‘How To Draw / Petrichor’); linhas de jazz (‘Sincerity Is Scary ‘and’ Mine ‘); e crescendos cinematográficos (‘ I Always Wanna Die (Sometimes) ‘).

Aqui está nossa análise de A Brief Inquiry Into Modern Relationships:

“The 1975”

Todo álbum de 1975 começa com uma música chamada ‘The 1975’. Dessa vez, a terceira releitura desta faixa é uma introdução apropriada aos fios sonoros que se entrelaçam para formar o ABIIOR. Pianos suaves fluem por baixo dos vocais auto-sintonizados de Matty, que deslizam direto para o ‘Give Yourself A Try’.

“Give Yourself A Try”

O single foi o primeiro gostinho de música nova, após o lançamento do cover de ‘By Your Side’ no início de 2017. Foi, previsivelmente, recebido com a histeria em massa dos fãs e, sem saber, foi o primeiro indício dos traços eletrônicos “glitch” que se tornaram realidade em algumas faixas do álbum. Nas letras, há uma multiplicidade de referências, desde seus fãs (“Jane tirou a própria vida aos 16 anos, ela era uma criança que tinha a caixa tatuada em seu braço”) até os efeitos da fama (“você ganhará muito dinheiro” e é engraçado porque você se muda para algum lugar ensolarado e fica viciado em drogas ”). É o The 1975 em sua melhor forma coloquial.

‘TOOTIMETOOTIMETTIMETIME’

Lançada em uma paisagem sonora quase tropical, passagens como: “Ela disse que eu, eu deveria ter gostado, eu disse a ela ‘Eu só uso algumas vezes'” aparentemente se referem a uma geração Instagram, onde as amizades são determinadas por quem gostou de sua última selfie, em vez de qualquer coisa substancial ou tangível. A faixa foi co-escrita por Guendoline Rome Viray Gomez, aka No Rome. A colaboração com seu parceiro de gravadora, Dirty Hit, canaliza a flutuabilidade opaca na vanguarda da atual discografia de Gomez e reforça o mesmo fio criativo que une todos os artistas da gravadora.

‘How To Draw / Petrichor’

Realmente parece que ‘How To Draw / Petrichor’ tem vida própria. Se você ouvir atentamente, pode ouvi-la inalando e exalando. São seis minutos de sons delicados. É uma mistura transcendental e etérea de ruídos quase reminiscentes a um brinquedo infantil de um berçário que passou por uma metamorfose eletrônica, e que se fundiu com batidas agressivas de “garage”. Ela te empurra e puxa, mas finalmente te mergulha na produção dinâmica de Matty e George.

“Love It If We Made It”

Se a letra de abertura “nós estamos transando em um carro, usando heroína, dizendo coisas controversas apenas por dizer”, não faz você se sentar e escutar desde o início, a potência sônica que essa música entrega com certeza vai. Aparições sonoras, semelhantes aos sons de glitch de video-games, aparecem sutilmente, submersas em sintetizadores efervescentes. A faixa conta com a presença do London Community Gospel Choir nos backing vocals nos refrões.

“Be My Mistake”

Em ‘Be My Mistake’, uma faixa predominantemente acústica (além dos ecos distantes de um piano), Healy nunca fez a infidelidade soar tão angustiante. A entrega vocal delicada expõe sua vulnerabilidade, mas isso é questionado quando ele canta timidamente: “Eu não deveria ter ligado porque não devemos nos falar, você me faz difícil, mas ela me deixa fraca”.

“Sincerity Is Scary”

À medida que os efeitos de percussão se aceleram na introdução de ‘Sincerity Is Scary’, os tons de jazz que se seguem transportam o ouvinte para outro cenário instantaneamente. Faz você se sentir como se estivesse sentado no telhado de um apartamento em Nova York, com um cigarro em uma mão e um copo de vinho tinto na outra, olhando para o horizonte. É suave, é sensual, é tão 1975.

“I Like America And America Likes Me”

“Estou com medo de morrer” professa um Matty autotunado na linha de abertura de “I Like America & America Likes Me”. Ao entralaçar uma batida de hip-hop com elementos eletrônicos cintilantes, Matty continua a exercer sua bem informada perspectiva sobre a política mundial, enquanto faz bom proveito da atmosfera dos sintetizadores.

“The Man Who Married A Robot/Love Theme”

Uma verdadeira referência aos relacionamentos virtuais. Essa ode ao mundo virtual é simultaneamente cativante e angustiante em medidas iguais. Após a história ser contada inteiramente pelo assistente virtual Siri, os tons escuros embutidos nas letras se revelam mais proeminentemente. Ele conta a história de Snowflakesmasher86 e quanto ele era dependente de seu relacionamento com a internet. Após sua morte prematura, Siri anuncia que ele faleceu, “em sua casa solitária. em rua solitária. em uma parte solitária do mundo. Você pode ir no Facebook dele”. É algo chocante, porém não tão fantasioso. Vejo você nos comentários do paraíso do YouTube, Snowflakesmasher86.

“Inside Your Mind”

A partir da ousada introdução de piano de “Inside Your Mind”, você não tem certeza se a música vai se transformar em um hino similar ao “Don’t Stop Believin” da banda Journey. Mas já sabemos muito bem que não podemos prevêr os movimentos do The 1975. Em vez disso, a faixa se acomoda em um ritmo lento e ardente. Matty diz “a parte de trás da sua cabeça está na frente da minha mente, logo eu vou abrir só para ver o que está dentro.”

“It’s Not Living (If It’s Not With You)”

A faixa é um verdadeiro retorno à essência. Mas como algo pode ser um retorno à essência, sendo que a banda está constantemente quebrando regras e inovando? Acho que o que estou tentando dizer é que esse é um hit que aproveita muito bem dos momentos eufóricos que não soariam tão diferentes de ‘Girls’ ou ‘The Sound’ em seu show ao vivo. Embora ela seja uma carta de amor ao abuso de drogas, ela não é romantizada. É honesta, crua e reflexiva, e se mostra como o momento mais edificante do álbum.

“Surrounded By Heads And Bodies”

Outra faixa acústica. A produção despojada evidencia que o quarteto sempre se sai bem, transformando uma fórmula clássica em inovadora. É uma justaposição rígida, logo após a euforia de ‘It’s Not Living’ (If It’s Not With You). ‘.
“Mine”

Se ‘Sincerity Is Scary’ é a vibe noturna de Nova York, então ‘Mine’ é certamente a manhã seguinte. As influências de jazz retornam, e você nunca, jamais, quer que elas saiam. A musicalidade descontraída também permite que letras como “eu luto contra o crime on-line e, às vezes, escrevo rimas as quais uso para me esconder”, brilhar.

“I Couldn’t Be More In Love”

Talvez a melhor maneira de descrever essa faixa seja com a palavra “atemporal”. Das linhas charmosas, “na melhor das hipóteses, estou sozinho em minha mente, mas posso encontrar algo para mostrar a você se você tem tempo”, até aos elementos instrumentais sedosos e sensuais, incluindo um solo de guitarra prolongado, Parece que poderia ter sido lançado hoje ou 20 anos atrás.

“I Always Wanna Die (Sometimes)”

Um clímax cinematográfico! Essa canção é o resumo da vida em 2018 – uma era verdadeiramente online. O refrão inclui um forte falsete de Matty enquanto as guitarras ascendem a proporções épicas. Os temas de isolamento e solidão, que prevaleceram ao longo do disco, atingem o pico (“você sabe que não é o mesmo que eles”). As notas dramáticas que preenchem o desfecho de ABIIOR perduram muito depois de seu fim, deixando uma marca duradoura de tirar o fôlego, após 58 minutos e 26 segundos.

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